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Aniversário Covid-19: o que esperar após um ano de pandemia?

16/03/2021 Tempo de leitura: 4 minutos
 

No dia 11 de março de 2021, completou-se um ano de pandemia de covid-19, levando em conta a declaração da Organização Mundial da Saúde (OMS). A rapidez de transmissão, o grau letalidade e a falta de informações sobre o vírus assustaram o mundo.

A China foi o primeiro país a identificar casos de covid-19, no início de dezembro de 2019. Em janeiro de 2020, a primeira morte decorrente da doença é registrada e, países vizinhos, como Japão e Índia, começaram a registrar casos. Na Europa, o vírus chegou em seguida, tendo a França como porta de entrada. Reino Unido e Itália foram afetados poucos dias depois.

Foi só em fevereiro de 2020, quando o número de infectados chineses já estava se estabilizando e os países europeus eram os novos epicentros da doença, que o nome covid-19 foi determinado. No Brasil, os primeiros casos começaram a surgir nessa época, inicialmente em pessoas que tinham passado pela Europa meses antes.

Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou estado de pandemia global, já que a situação estava fora de controle e o vírus se espalhando rapidamente por diversos países. A velocidade de propagação do vírus era assustadora, assim como a falta de tratamentos adequados. Nessa época, a busca por uma vacina já se mostrava como a luz no fim do túnel, para o que se revelou a maior crise sanitária do século.

Pandemia no Brasil, o começo

Após a identificação dos primeiros casos de covid-19 em brasileiros, ainda em fevereiro de 2020, o aumento no número de casos no país foi rápido e, assim como no resto do mundo, deixou todos em alerta.

A primeira diferença em relação à China, que já vivia dias mais calmos, e à Europa, que enfrentava toques de recolher e severas restrições que tinham a intenção de barrar o contágio, no Brasil houve um total descaso por parte das autoridades públicas, em especial o governo federal.

A China deu exemplo ao mundo de controle da epidemia em seu território: impôs quarentena em diversas cidades e regiões, promoveu testagem em massa na população e providenciou equipamentos necessários para proteger os profissionais que atuavam na linha de frente. Com isso, o país asiático logo controlou a doença.

No Brasil, não houve nem testagens, nem controle por meio de quarentenas e limitação da circulação das pessoas. Sem agilidade e comprometimento do governo federal, os governadores tiveram que assumir por conta própria o enfrentamento do coronavírus. Ainda assim, muitos demoraram a agir, negligenciaram o poder da pandemia e o resultado foi o previsível.

Além disso, não houve qualquer medida restritiva mais séria no país, como o lockdown – apenas uma ou outra cidade adotou, quando a situação já estava bem crítica. Assim, o número de casos e mortes por covid-19 se acelerou e a crise econômica continuou a ceifar empregos e renda, empurrando milhões de brasileiros para uma situação de vulnerabilidade econômica e social.

Em abril de 2020, o então ministro da Saúde Henrique Mandetta deixou o cargo por discordar do presidente Jair Bolsonaro em relação às medidas de isolamento e prevenção. No mês seguinte, mais um ministro, Nelson Teich, se afasta do seu posto, novamente por problemas relacionados a Bolsonaro. Durante esse período, o número de mortes diárias virou recorrente. Viramos o epicentro da doença no mundo, juntamente com os Estados Unidos.

Os tratamentos fantasiosos e a descoberta da vacina

Quando em maio de 2020 parte da população brasileira se declarou insatisfeita com a atuação do governo em relação à pandemia, o resultado foi bem diferente do que se esperava. Em vez de incentivar o isolamento social para conter a pandemia ou investir em estrutura hospitalar, o governo Bolsonaro preferiu voltar seus esforços para o “tratamento precoce” com a compra e distribuição de medicamentos que são completamente ineficazes nos casos de covid-19.

Em novembro de 2020, quando os números de infectados e mortos voltou a subir no Brasil, laboratórios como AstraZeneca, Moderna e Pfizer divulgaram que as vacinas que haviam desenvolvido eram eficazes e estavam prontas para entrar na luta contra o coronavírus.

Iniciou-se uma corrida pelo mundo. Os países ricos saíram na frente e compraram boa parte da produção existente até aquele momento, deixando os países mais pobres no final da fila.

O Brasil, reconhecido mundialmente por ter excelentes resultados em campanhas de vacinação, patinou no planejamento, não reservou nem comprou doses suficientes — chegou a recusar ofertas de alguns laboratórios! — e entrou numa queda de braço com governadores e prefeitos sobre quem deveria estabelecer as regras e critérios para a vacinação da população brasileira.

Aniversário Covid-19: o que esperar do futuro, após um ano de pandemia?

A vacinação começou no Brasil, mas em ritmo lento e sem outras medidas para conter a pandemia — isolamento social, testagem e lockdown nos locais mais críticos. Assim, o país hoje é um epicentro da doença no mundo e celeiro para novas formas do vírus, que são mais contagiosas, agressivas e letais. Isso significa que pensar em uma retomada do estilo de vida anterior à pandemia, ainda é um sonho distante.

Mesmo que adotemos um plano de vacinação melhor planejado, é possível que a vida de todas e todos sejam transformadas pela crise sanitária. Hábitos como o de usar máscaras em lugares públicos podem ser incorporados ao “novo normal”, como acontece em muitos países da Ásia.

Além dos hábitos que podem se transformar, a vida de milhões de brasileiros e brasileiras foi drasticamente afetada do ponto de vista econômico. A fome, que desde 2014 tinha sido erradicada do país, voltou a fazer parte da realidade de muitas famílias. O destino dessas e de outras milhões de pessoas que estão na extrema pobreza, depende de decisões políticas.

Quer se informar mais sobre o assunto? Leia nosso artigo Covid-19 e direitos humanos: os desafios em tempos de pandemia.

Categoria:

Desigualdades

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