desigualdade na comida

Desigualdade na comida: quem realmente lucra com a nossa laranja?

Toda comida que a gente consome é produzida por milhões de agricultores pelo mundo. Um trabalho que deveria ser cada vez mais celebrado e valorizado, mas a realidade é bem diferente. Conforme revelamos em nosso relatório Hora de Mudar, lançado em junho de 2018, quem tem ficado com fatias cada vez mais generosas do dinheiro gerado pela produção agrícola são os grandes supermercados, especialmente dos Estados Unidos e Europa, e outros gigantes da indústria alimentícia.

Somos um dos maiores produtores da fruta no mundo, mas isso só tem beneficiado alguns poucos

Conheça os repórteres selecionados para investigar a volta da fome

A Oxfam Brasil e a Agência Pública lançaram no final de agosto o concurso Microbolsas Fome, que abriu inscrições para que repórteres de todo o país propusessem pautas sobre a volta da fome à realidade brasileira.

Mais de 80 repórteres de 15 estados diferentes enviaram pautas para concorrer às microbolsas

Maior supermercado alemão só venderá bananas produzidas de maneira justa

Gol da Alemanha! A rede Lidl, maior supermercado alemão e terceiro da Europa, anunciou no final de setembro que suas lojas na Alemanha e Suíça só venderão bananas produzidas de acordo com regras de comércio justo ('fairtrade'), o que significa uma exigência de melhores condições de trabalho e produção. A Lidl tem mais de 3 mil lojas na Alemanha e 100 na Suíça, de um total de mais de 10 mil estabelecimentos em toda a Europa e também nos Estados Unidos.

Decisão tomada no final de setembro vale para as mais de 3 mil lojas da rede na Alemanha e Suíça

Hora de Mudar

Hora de Mudar
Desigualdade e sofrimento humano nas cadeias de fornecimento dos supermercados

Os grandes supermercados do mundo estão lucrando bilhões ano após ano a um custo muito alto: péssimas condições de trabalho, pobreza e sofrimento para milhões de homens e mulheres trabalhadoras e agricultores em diversas partes do planeta. A situação é tão desesperadora que muitos dos que produzem nossos alimentos mal têm o que comer. Está mais do que na hora de mudar essa realidade.

Desigualdade na Comida
Queremos que os supermercados europeus e americanos mudem seu modelo de negócio para priorizar uma maior transparência sobre a procedência dos alimentos e evitar que nossa comida seja produzida com sofrimento humano, pobreza, discriminação contra as mulheres, péssimas condições de trabalho e salários de fome. A mudança é mais do que bem-vinda, ela é possível e justa!

Os supermercados ficam com uma quantidade cada vez maior do dinheiro que seus consumidores gastam em suas lojas - em alguns casos, esse valor chega a 50%, enquanto a parcela que fica com trabalhadores e produtores rurais pode ser menos de 5%.

Um em cada quatro copos de suco de laranja consumidos no mundo vem do Brasil. O preço do produto brasileiro aumentou mais de 50% nos supermercados americanos e europeus desde a década de 1990. No entanto, o valor pago a pequenos produtores e trabalhadores rurais no Brasil chega a apenas 4% do valor de venda final.

Pequenos agricultores e trabalhadores rurais nas cadeias de fornecimento de 12 produtos básicos de supermercados sofrem para conseguirem sobreviver com a renda obtida. Para alguns produtos, como o chá indiano ou vagem queniana, a renda média é menos da metade do que seria considerado ideal para assegurar uma vida digna.

Seriam necessários mais de 4 mil anos para um trabalhador que atua no processamento de camarão na Indonésia ou Tailândia ganhar o mesmo que um típico executivo de um supermercado americano ganha em um ano.

Enquanto muitos trabalhadores rurais e pequenos agricultores vivem na pobreza, as oito maiores cadeias de supermercados de capital aberto geraram quase US$ 1 trilhão em vendas, US$ 22 bilhões em lucros e US$ 15 bilhões em dividendos a seus acionistas em 2016.

90% das mulheres que trabalham no cultivo de uva na África do Sul entrevistadas pela Oxfam afirmaram não terem tido o suficiente para comer no mês anterior.

Apenas 10% do que os três maiores supermercados dos Estados Unidos pagaram a seus acionistas em 2016 seria o suficiente para pagar um salário digno a 600 mil trabalhadores que atuam no processamento de camarão na Tailândia.

Uma pesquisa recente da Comissão Europeia sobre cadeias de alimentos apontou que 96% dos fornecedores sofreram com pelo menos uma forma de prática comercial injusta como, por exemplo, receber menos que os custos de produção, a cobrança de taxas por espaço nas prateleiras ou o atraso de pagamentos.

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Fatos importantes do relatório

Hora de Mudar

Os grandes supermercados do mundo estão lucrando bilhões ano após ano a um custo muito alto: péssimas condições de trabalho, pobreza e sofrimento para milhões de homens e mulheres trabalhadoras e agricultores em diversas partes do planeta. A situação é tão desesperadora que muitos dos que produzem nossos alimentos mal têm o que comer. Está mais do que na hora de mudar essa realidade.