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Encontro virtual promovido pela Oxfam Brasil e Fundo Baobá reuniu cerca de 100 ativistas para discutir a urgência da participação política de mulheres negras

28/05/2020 Tempo de leitura: 3 minutos
 

Em evento online realizado na terça-feira (26/5), a Oxfam Brasil e o Fundo Baobá reuniram cerca de 100 mulheres negras para discutir a integração e potencialização de ideias sobre representatividade e desigualdades que impactam a participação política delas no país.

O evento Conversa Afiada: Mulheres Negras e Participação Política contou com a participação de organizações parceiras da Oxfam Brasil e também de integrantes de grupos apoiados pelo Programa Marielle Franco de Aceleração do Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras, lançado em 2019 pelo Fundo Baobá.

Além disso, também participaram do encontro Lucia Xavier, coordenadora da ONG Criola, e Robeyoncé Lima, co-deputada estadual por Pernambuco.

O encontro um dos primeiros passos do projeto Bairros, Olhares Desiguais e Juventudes, que a Oxfam Brasil, em parceria com Oxfam Intermón e Oxfam México, lançará ainda em 2020. O projeto tem financiamento da União Europeia.

O que dizem as organizações

A diretora-executiva da Oxfam Brasil, Katia Maia, deu boas-vindas às participantes e ressaltou a importância de se debater a participação política de mulheres negras, especialmente no atual contexto de ameaças à democracia.

“Sendo assim, precisamos mais do que nunca aumentar o engajamento político daquelas que não são representadas nos espaços políticos” afirmou.

Para Selma Moreira, diretora-executiva do Fundo Baobá, o fato de os movimentos de mulheres negras conseguirem se inserir nos espaços de poder e de tomada de decisão para conseguirem avançar em suas pautas é um processo histórico. É um movimento que começa nas comunidades, avança no setor privado e que precisa se concretizar na política.

“Quando falamos de participação política, falamos da nossa história de mobilização e engajamento, que pra nós nunca foi opcional” afirmou. “A mudança que a gente quer buscar, nós temos que trabalhar para construir”.

Os caminhos já trilhados

As convidadas Lucia Xavier e Robeyoncé Lima refletiram sobre o significado de participação política e formas de potencializar essas intervenções nos diferentes espaços de poder e de tomada de decisão.

“Participar não é só agir sobre o já instituído, mas criar novos processos. É se tornar um ser público” disse Lucia Xavier. Assim, ela fez um resgate histórico do processo de participação civil das mulheres negras, desde a Constituição de 1988, e a formação dos movimentos de base no país.

A co-deputada Robeyoncé Lima, integrante de uma mandata coletiva e primeira mulher trans eleita em Pernambuco, trouxe o contexto histórico da participação política de mulheres no Brasil. Ainda que as mulheres sejam a maioria da população, esse índice ainda é pouco expressivo. “Esse espaço é muito recente, apenas 15% dos parlamentares são mulheres. Mas se formos ver a questão racial, é menor ainda: apenas 3% de mulheres negras”.

Entretanto, apesar da conjuntura política dura em que vivemos, de extrema polarização, Lucia acredita que hoje há maior oportunidade para a participação política de mulheres negras. “Estamos mais para a criação de novos espaços do que para incidir sobre os que já existem”, completou.

As vozes que se multiplicam

Outro ponto ressaltado por Lucia foi a participação política como um exercício de cidadania. “Participação não é uma prática natural. Isso significa que nós interferimos no modo de fazer política. A afirmação de um sujeito político, mulher negra que vem a público dizer o que quer e o que lhe é de direito, disputar poder”.

Por isso Robeyoncé fez questão de frisar que quando se fala de renovação política e reescrever a história, é preciso que as mulheres negras estejam nos espaços de poder político. “O sistema representativo cedeu a interesses econômicos. Precisamos redefinir isso”.

Com as reflexões das convidadas, segui-se um debate. Em diversas manifestações, elas falaram sobre como ocupar esses espaços de poder é também sobre como tal ação também é incidir sobre o racismo – mas que essa é uma tarefa árdua e que tem um grande custo, inclusive emocional, para essas lideranças negras.

Outro ponto que surgiu com força foi como, historicamente, as mulheres negras compõem os partidos políticos, mas que não têm suas candidaturas apoiadas. Na visão das participantes, é muito difícil quebrar a hegemonia dos homens brancos no imaginário do eleitorado.

Por fim, houve um chamado geral: que a discussão sobre a importância da participação políticas de mulheres negras se materialize também em ações concretas. Sendo assim, uma proposta levantada foi a criação de um fundo de incentivo focado em fomentar candidatas negras.

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