EMERGÊNCIA COVID-19: sua solidariedade protege famílias

Debate entre isolamento social e economia é político e não se baseia em dados sérios

Em live realizada pela Oxfam Brasil no Youtube, o médico Drauzio Varella e Carmen Silva, coordenadora do Movimento Sem Teto do Centro de SP, discutiram saúde e moradia em tempos de pandemia de coronavírus.

14/05/2020 Tempo de leitura: 3 minutos
 

Em live realizada nesta quinta-feira (14/5) no canal do Youtube da Oxfam Brasil, o médico Drauzio Varella afirmou que debate entre o necessário isolamento social para enfrentar a pandemia de coronavírus e a proteção da economia brasileira é puramente político, não tendo base alguma em dados sérios. Portanto, respeitar o necessário distanciamento social é o melhor caminho para evitarmos o pior. “Respeitem o isolamento social. Essa discussão de que o país vai quebrar é artificial, política. Não é baseada em dados sérios”, disse ele.

Além de Drauzio Varella, a live contou com a participação de Carmen Silva, coordenadora do Movimento Sem-Teto do Centro (MSTC), de São Paulo, e mediação de Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil.

Veja como foi:

Não vamos ativar a economia no meio de uma pandemia

Segundo Drauzio Varella, não adianta querer liberar as pessoas para voltarem ao trabalho e para consumir. “Será uma grande tragédia coletiva e ineficaz. Isso porque não vamos conseguir ativar a economia no meio de uma pandemia”, declarou. “A troco de quê outros países do mundo iriam decretar o isolamento se não houvesse necessidade? Eles são idiotas? Não. Eles se conscientizaram de que era necessário evitar uma grande tragédia”.

Por isso, o médico afirma que o Estado tem que dar condições financeiras para que a população mais pobre consiga realizar o necessário isolamento social.

Carmen Silva, coordenadora do Movimento Sem-Teto do Centro (MSTC), de São Paulo, concorda com Drauzio. Realmente, não dá para falar em retomar a economia em meio à pandemia – o isolamento social é fundamental para salvar vidas. Entretanto, há questões a serem resolvidas com urgência, como a falta de acesso de milhões de pessoas à moradia decente e serviços de saúde de qualidade.

“Além disso, a covid-19 reverbera o que a gente vem dizendo há anos: quem não tem moradia, não tem saúde. Ter de pagar aluguel tira dinheiro da alimentação e da saúde”, afirmou Carmen. “Além disso, temos habitações precárias, com adensamento excessivo, em que várias pessoas compartilham o mesmo cômodo, provocam doenças”.

Respeito aos direitos básicos da população

Mas há também um grande desrespeito aos direitos das pessoas, observou Carmen. Quando as pessoas enfrentam uma fatalidade, elas logo pensam em criar regras novas, afirmou.

“Mas não precisa de nada disso. É só respeitar a Constituição, os direitos básicos dos cidadãos, como o direito à moradia. Já temos leis que nos garantem isso. Portanto, vamos aprender a exigir o que está na Constituição”.

Kátia Maia, diretora-executiva da Oxfam Brasil, criticou a banalização da desigualdade no país. “É impressionante como a gente naturalizou a desigualdade. Como se ela fosse algo divino. Não é. As desigualdades são construídas socialmente. E precisamos lutar para reduzi-las.”

Brasil será epicentro global da pandemia

Na opinião de Drauzio, a população brasileira está pagando a conta da imensa desigualdade social do país. Além disso, as escolhas feitas – políticas e sociais – ao longo dos anos foram muito ruins. “Não priorizamos o combate à desigualdade.” Drauzio acrescentou ainda que o Brasil será em breve o epicentro da pandemia mundial, ultrapassando o número de casos dos Estados Unidos.

Em breve, portanto, o Brasil terá o maior número de casos no mundo. “Seremos o local onde a epidemia se dissemina com maior rapidez”, disse. Um dos motivos, afirmou, é a dificuldade de se manter o isolamento social por conta da condição de pobreza da maioria da população. É, portanto, fundamental que o governo ajude essa população a se manter financeiramente em tempos de isolamento social.

#VACINAPARATODOS

A Oxfam Brasil lançou petição online para que a vacina do coronavírus, quando desenvolvida, seja distribuída a todos e todas no mundo – principalmente para os mais vulneráveis. A campanha #VacinaParaTodos pede ainda que testes, tratamentos e vacinas fiquem livres de patentes e não fiquem disponíveis apenas para quem puder pagar.

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