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Supermercado alemão se compromete com direitos de trabalhadores rurais. E os supermercados brasileiros?

23/06/2020 Tempo de leitura: 3 minutos
 

O papel que os supermercados têm desempenhado na atual crise global de coronavírus evidencia a importância que esse setor tem na vida das pessoas. Mas há um grupo de pessoas, em especial, que está na linha de frente da produção dos produtos que estamos comprando. São milhares de trabalhadoras e trabalhadores rurais.

Em 2019, a Oxfam Brasil lançou a campanha “Frutas Doces, Vidas Amargas” como parte da campanha global “Por Trás do Preço”. O objetivo da campanha era pressionar os principais supermercados a assumirem responsabilidade de acabar com o sofrimento humano dos trabalhadores rurais em suas cadeias de suprimentos.  

Mesmo antes do coronavírus, constatamos a vulnerabilidade dos trabalhadores e trabalhadoras rurais na região Nordeste. Eles têm baixos salários, contratos temporários e, alguns casos, trabalham em condições precárias de saúde e higiene no campo. Além disso, as questões levantadas por nossa campanha tornaram-se um ponto de atenção ainda maior no contexto da atual pandemia.

Supermercados brasileiros ignoram situação de trabalhadores rurais

Enquanto os maiores supermercados do Brasil (Carrefour, BIG e Pão de Açúçar) não se movem para oferecer mais dignidade aos trabalhadores rurais, os supermercados mundiais estão se mobilizando. Um deles é o Lidl, que tem sede na Alemanha.

Em resposta à nossa campanha, o supermercado Lidl publicou uma nova política de direitos humanos. Isso inclui o reconhecimento de responsabilidade sobre direitos dos trabalhadores e de igualdade de gênero na cadeia de fornecimento. Outro ponto importante foi o reconhecimento da necessidade de engajar proativamente com sindicatos de trabalhadores rurais e de fortalecer os seus mecanismos de denúncia. É, portanto, uma vitória importante na luta pela conduta empresarial responsável na agenda de direitos humanos!

O Lidl opera em 29 países e foi alvo da campanha da Oxfam sobre a cadeia de frutas que saem do Nordeste brasileiro. Nessa região, os trabalhadores ainda sofrem com pobreza e más condições de trabalho. Os supermercados Carrefour, Pão de Açúcar e Big compram frutas da mesma região do Brasil e nenhum dos três tem uma política de direitos humanos publicada no país. Portanto, uma política de direitos humanos dos supermercados brasileiros como a publicada pelo Lidl seria um grande avanço. Você pode nos ajudar a convencê-los, assinando nossa petição.

Transparência é importante

O Lidl também publicou uma lista de seus fornecedores diretos e está avançando em relação às cadeias de banana, salmão, chá e frutos do mar. É preciso que outros supermercados publiquem suas listas de fornecedores e avancem em transparência. Somente assim será possível garantir o fim de abusos e violações de direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais.

O Lidl também se comprometeu a utilizar referências externas como a FairTrade, Mesa Redonda de Óleo de Palma Sustentável (RSPO), Mesa Redonda de Produção Responsável de Soja (RTRS) e outras, para avaliar seus fornecedores em temas socioambientais.

Como muitos trabalhadores da cadeia de frutas são temporários (chamados também de ‘safristas’), o Lidl está tratando da questão da moradia dos migrantes safristas, que é um ponto de risco para o trabalho escravo. Além disso, também analisa se os trabalhadores da laranja no Brasil recebem um salário digno (conforme parâmetros recomendados pela OIT). Avalia também como aumentar seus salários caso não recebam.

Igualdade de gênero na cadeia de alimentos

O Lidl assinou recentemente também os Princípios das Nações Unidas de Empoderamento das Mulheres, um dos primeiros passos para garantir a igualdade de gênero na cadeia de suprimentos. Isso é importante porque os empregos que as mulheres realizam são normalmente pior remunerados e com menor segurança no trabalho. Além disso, elas têm em grande parte contratos temporários e estão mais expostas à dupla jornada (por também fazerem o trabalho doméstico).

A Lidl também prometeu que, até 2021, publicará uma política de gênero que cubra suas operações (funcionários próprios) e de suas cadeias de suprimentos.

A política de direitos humanos publicada pelo supermercado Lidl é um grande avanço e exemplo para Carrefour, Pão de Açúcar e Big, que são empresas de ponta e tem todas as condições de fazer o mesmo. Como são os compromissos  de transparência, devida diligência, salário digno, gênero e direitos humanos no geral, dos maiores supermercados no Brasil?

Ativistas e apoiadores da Oxfam no Reino Unido se preparam para entregar uma petição a representantes do supermercado Lidl. O documento foi assinado por 20 mil pessoas, pedindo à empresa que proteja quem produz nossos alimentos. Foto: Rebecca Lonsdale, Oxfam.

20 mil pessoas no Reino Unido e 18 mil na Holanda já assinaram uma petição pedindo ao Lidl para fazer mais para proteger os trabalhadores rurais. No Brasil, entretanto, mais de 50 mil pessoas já assinaram nossa petição cobrando mais transparência e compromissos dos supermercados Carrefour, Pão de Açúcar e BIG. Não queremos comprar frutas com sofrimento humano. Os supermercados no Brasil podem e devem fazer muito mais!

Categoria:

Desigualdade na Comida

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