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Racismo no Brasil: por que isso ainda é uma realidade? Veja aqui!

21/10/2021 Tempo de leitura: 3 minutos
 

Com a missão de enfrentamento à exclusão social e desigualdades, devemos compreender o porquê de ainda existir racismo no Brasil e como combater isso.

A desigualdade racial se configura como qualquer situação injustificada em que haja diferenciação de acesso e usufruto de oportunidades, por conta de cor, raça, etnia ou procedência nacional.

Neste artigo, você verá desde um breve resumo do contexto histórico dos negros no Brasil até o debate sobre o racismo no dia a dia. Acompanhe a leitura e confira!

Qual é o contexto histórico da população negra no país?

Entre o ano de 1501 até 1870, quase 13 milhões de africanos foram raptados de seus países de origem, vendidos como mercadoria e transportados para a América.

Desse número, ¼ foi enviado para o Brasil, sendo que quase 2 milhões de pessoas não chegaram ao destino, pois morreram de sarampo, sífilis, varíola, disenteria, entre outras enfermidades.

Por conta do tráfico negreiro, que teve seu auge entre 1800 e 1850, o Brasil contava com uma grande população negra até a segunda metade do século XIX. No entanto, as condições precárias de alimentação, descanso, higiene, castigos físicos e jornadas exaustivas nas lavouras restringiam a expectativa de vida dos escravizados.

Mesmo com a abolição da escravatura em 1888, a população negra não recebeu incentivos para se integrar à sociedade livre, sendo então marginalizada e excluída.

Qual é a diferença entre preconceito e discriminação racial?

Antes de adentrarmos nas questões de racismo no Brasil, devemos compreender os conceitos de dois termos muito comentados: o preconceito e a discriminação racial.

Entende-se por preconceito o julgamento premeditado a respeito de uma pessoa em determinada situação, gerando assim uma concepção que pode sustentar estereótipos.

Porém, quando se trata de descriminação racial, há uma ruptura do princípio da igualdade, cuja melhor definição conceitual está na Lei 12.288/2010:

“I — discriminação racial ou étnico-racial: toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por objeto anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em igualdade de condições, de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro campo da vida pública ou privada”.

Com isso, podemos compreender o racismo como a intersecção entre o preconceito e a discriminação, que atinge a honra da população negra de diversas maneiras.

Como a cultura da discriminação se enraizou no comportamento social?

Pela transmissão geracional do racismo e da desigualdade, a percepção da sociedade, em relação aos negros, sempre denotou discriminação e exclusão em vários campos.

A marginalização da população negra, desde a época da escravização, atribuiu uma percepção de valor deturpada e estereotipada por piadas sobre cabelo, corpo, fala, entre outros. Um exemplo disso foi o que ocorreu com o professor João Luiz no Big Brother Brasil deste ano, 2021, pois seu cabelo crespo foi alvo de uma piada racista por outro participante.

Isso trouxe à tona o debate do racismo estrutural, que está presente na cultura, na política, no mercado de trabalho, nas instituições públicas e privadas, na educação e em diversos outros lugares.

Se “ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele…”, como diria Nelson Mandela, logo, esse comportamento é ensinado de alguma maneira ao longo da vida.

Quais transformações ocorrem até hoje?

Ao decorrer desses 133 anos sem escravização, o movimento negro busca, gradativamente, seu espaço diante de uma sociedade ainda preconceituosa.

Dos quilombos até a era da internet muita coisa aconteceu, sendo que a representatividade é cada vez mais pautada como uma das medidas antirracistas.

Essa representatividade é relevante nas relações sociais, a fim de reconhecer a identidade de um grupo e reforçar o direito de igualdade em um caminho diverso. Podemos ver negros apresentando telejornais, ocupando as universidades e influenciando pessoas por meio de livros, redes sociais, palestras e outros cenários.

A legislação teve um papel importante nisso com dispositivos que combatem a injúria racial e o racismo no Brasil, bem como a criação do Dia da Consciência Negra.

Porém, ainda é preciso ter mais ações afirmativas de combate à discriminação, proporcionando transformações culturais segmentadas pelo respeito e pela empatia.

O racismo no Brasil é praticado de forma velada?

Embora haja conquistas do movimento negro, infelizmente a situação ainda não é agradável e a percepção de democracia racial é apenas uma visão romancista.

O racismo no Brasil não é praticado de forma velada, mas sim escancarada, especialmente considerando os aspectos estruturais e institucionais. As oportunidades no mercado de trabalho, a distribuição de renda, o percentual da população carcerária e as condições desiguais de moradia só ressaltam isso.

Em 2018, de acordo com o Atlas da Violência, a taxa de homicídios por 100 mil habitantes foi de 37,8% de negros e 13,9% de não negros em todo território nacional.

Esses dados demonstram que ainda existe um percurso árduo para a população negra ser realmente valorizada e respeitada.

Portanto, ao propor esse debate sobre o racismo no Brasil, devemos nos perguntar se ainda propagamos conceitos raciais de forma estrutural e aceitar que a educação é a estratégia mais efetiva para combater esse mal.

Quer se aprofundar a respeito dessa temática? Aproveite que está aqui e leia sobre o racismo estrutural e a responsabilidade social corporativa!

Categoria:

Desigualdade de raça

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