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Mortos por coronavírus: a responsabilidade do governo pelas perdas evitáveis

18/06/2020 Tempo de leitura: 3 minutos
 

Foto: Paulo Desana/Dabakuri/Amazônia Real

Já são mais de 40 mil mortos por coronavírus no Brasil. Segundo esses dados, do consórcio de veículos de imprensa (G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL), o Brasil é o segundo país com mais casos e mais mortes no mundo, somente atrás dos EUA.

Esses veículos de imprensa começaram a trabalhar de forma colaborativa para reunir as informações sobre mortos por coronavírus e infectados junto às secretarias de saúde dos estados depois que o governo federal passou atrasar a divulgação e dificultar o acesso aos dados oficiais do Ministério da Saúde.

Descompasso entre ciência e governo

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e pesquisadores de todo mundo têm sido enfáticos sobre a necessidade de se manter o isolamento social como a melhor medida de contenção da pandemia. Em contrapartida, alguns governos, entre eles o brasileiro, refutam os dados sobre mortos por coronavírus e insistem na urgência da retomada das atividades econômicas.

Como já tratamos neste artigo do blog, o distanciamento social é necessário e, sim, causa impactos na economia, mas isso não é um dilema e não pode ser encarado pelos governantes como tal.

Sem distanciamento social, o número de casos e de mortos por coronavírus irá explodir, o sistema de saúde irá colapsar, e não haverá atendimento. Desse modo, não há desenvolvimento econômico possível. Por isso, a cooperação entre ciência e governo é fundamental para enfrentar essa crise.

Descompasso entre governo federal e estados

Desde o início da crise gerada pelo coronavírus no Brasil ficou clara a diferença de posicionamento entre o governo federal e os governadores dos estados.

Enquanto muitos governadores tentavam medidas para manter o isolamento social, o presidente Jair Bolsonaro fez críticas à essas iniciativas, além dele próprio ter desrespeitado as recomendações de segurança para evitar a contaminação diversas vezes.

Essa tensão, no entanto, parece ter tido uma trégua nas últimas semanas, pois em praticamente todos os estados já estão havendo medidas de retomada das atividades econômicas, mesmo quando o número de mortos por coronavírus no país não para de crescer.

Otimismo X projeções

A retomada da economia não é uma preocupação apenas do governo, mas de muitos brasileiros. Uma pesquisa recente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) aponta que 49% dos entrevistados acredita que suas finanças voltarão ao mesmo nível de antes da pandemia em até um ano. Destes, 21% apostam que a retomada poderá se dar ainda mais rápida, em até seis meses.

A ânsia pela retomada da econômica foi vista nas últimas semanas de junho – com as imensas filas nas reaberturas de shoppings e comércios de rua lotados em todo o país.

A preocupação é justificável. Segundo o relatório da Oxfam, Dignidade, não Indigência, a crise econômica provocada pela pandemia do coronavírus vai empurrar meio bilhão de pessoas para a pobreza nos próximos anos.

Porém, o crescimento do número de mortos por coronavírus vai na contramão. E as projeções não são animadoras. Segundo o Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde (IHME) da Universidade de Washington, se não houver nenhuma mudança significativa no avanço da pandemia no país, o Brasil pode superar os Estados Unidos em número de mortes de Covid-19 muito em breve, se tornando epicentro mundial da doença.

Mortes por coronavírus evitáveis

A ocorrência de casos e mortos por coronavírus no país exige coordenação nacional. No entanto, o descompasso entre governo federal e estaduais e o não atendimento às diretrizes científicas de instituições nacionais e da Organização Mundial da Saúde vão na contramão disso.

E os efeitos são trágicos. O que está ocorrendo é um verdadeiro genocídio dos mais pobres, à medida que a epidemia avança nas periferias e favelas. Um estudo feito pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia, mostra que a mortalidade por coronavírus é maior em capitais onde serviços de saneamento básico são piores. E, segundo dados do Instituto Trata Brasil, 48% da população brasileira ainda não têm coleta de esgoto.

Vale ressaltar que a deficiência dos serviços públicos é histórica no Brasil, anterior à pandemia de coronavírus. Ainda que ações de ajuda humanitária estejam se multiplicando pelo país nesse momento de crise, se as medidas certas tivessem sido tomadas, com os alinhamentos necessários, milhares de mortes por coronavírus poderiam ter sido evitadas.

Responsabilização pelas mortes evitáveis

Por isso, a Oxfam Brasil, o IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e outras organizações da sociedade civil lançaram um alerta sobre a responsabilidade pelas mortes evitáveis por Covid-19.

O documento faz críticas à maneira com que a pandemia de coronavírus vem sendo gerida pelas autoridades brasileiras.

Estão sendo reunidas evidências e provas para demostrar as consequências dessas omissões e desalinhamentos e, dessa forma, responsabilizar judicialmente os responsáveis.

Para complementar sua leitura, acesse nosso artigo sobre a vacina contra o coronavírus e a necessidade do acesso igualitário quando desenvolvida.

Categoria:

Desigualdade econômica

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