Mais Justiça, Menos Desigualdades

Trabalhadores da fruta no RN conseguem vitória em negociação salarial com ajuda da Oxfam Brasil

Apesar de lucrarem muito com as exportações de frutas ao exterior, produtores se recusavam a negociar. Pressão da Oxfam Brasil, seus apoiadores e supermercados europeus e americanos contribuiu para que aceitassem demandas dos trabalhadores.

23/02/2022 Tempo de leitura: 3 minutos
 

O estado do Rio Grande do Norte é um dos maiores produtores de frutas do Brasil e, no ano passado, viu suas exportações aumentarem significativamente, garantindo bons lucros. Mas não para todos. Os trabalhadores rurais tentaram negociar durante todo o final de 2021 um aumento salarial que pelo menos repusesse a inflação acumulada em 12 meses, mas os produtores se recusavam. Só depois de muita pressão, inclusive de supermercados da Europa e Estados Unidos – compradores das frutas da região -, chegou-se a um acordo, ainda que não totalmente satisfatório para os trabalhadores: conseguiram repor pouco mais da metade da inflação do período (cerca de R$ 50) em seus salários.

A Oxfam Brasil e seus apoiadores tiveram papel importante na pressão realizada sobre os produtores para que voltassem a negociar e aceitassem as exigências dos trabalhadores.

O Brasil é hoje o terceiro maior produtor de frutas do mundo e a região Nordeste é o grande pólo nacional desse cultivo, que gera cerca de R$ 40 bilhões por ano. No entanto, os trabalhadores que atuam no setor estão entre os 20% mais pobres do país.

A principal demanda dos trabalhadores rurais do Rio Grande do Norte nas negociações realizadas entre setembro e dezembro do ano passado era a reposição da inflação nos salários, além da manutenção das cláusulas sociais na convenção trabalhista. Mas os produtores se recusavam a aceitar.

“Eles alegavam não ter condições para repor 100% da inflação porque o setor estava enfrentando dificuldades devido à pandemia. Mas isso não justifica, porque o mercado europeu estava consumindo muito nossas frutas e a maior parte de nossa produção vai para lá”, afirma Juscelino Dantas, diretor de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Rio Grande do Norte (Fetarn) e representante dos trabalhadores rurais de Jandaíra, uma das cidades que mais produz frutas no estado, com exportações significativas para a Espanha.

Com o impasse, os sindicatos rurais do Rio Grande do Norte entraram em contato com a Oxfam Brasil preocupadas porque os empregadores estavam sabotando o processo de negociação.

A Oxfam Brasil produziu em 2019 o relatório Frutas Doces, Vidas Amargas sobre a situação dos trabalhadores da fruta no Rio Grande do Norte, revelando a precariedade das condições de trabalho nas plantações desse importante pólo exportador de frutas do país.

O relatório Frutas Doces, Vidas Amargas faz parte da campanha Por Trás do Preço, pela qual a Oxfam Brasil juntamente com outras Oxfams pelo mundo discute o que pode ser feito para que as cadeias de fornecimento de produtos aos supermercados garantam trabalho e vida mais dignas aos seus respectivos trabalhadores. Por meio da rede de parcerias dessa campanha, a Oxfam Brasil conseguiu avisar os principais compradores de frutas do Rio Grande do Norte – supermercados americanos e europeus – que os trabalhadores rurais do estado estavam ameaçados de verem seus salários já precários serem reduzidos ainda mais. A pressão funcionou: os grandes supermercados importadores de nossas frutas cobraram respostas de seus fornecedores e estes (o agronegócio do Rio Grande do Norte) se comprometeu a um acordo coletivo com os trabalhadores, garantindo que estes não teriam perdas.

Não foi bem assim. O acordo celebrado entre produtores e trabalhadores rurais potiguares ao final de 2021 cobriu apenas parte da inflação e manteve as cláusulas sociais, “que alguns produtores também não cumprem totalmente”, afirma Juscelino, do sindicato de Jandaíra (RN).

Para 2022, Juscelino afirma que novamente será reivindicada a reposição integral da inflação nos salários dos trabalhadores. “No mínimo. Os produtores não podem recusar isso. Eles estão vendendo como nunca e agora expandiram seus mercados externos para a China. Eles tiveram grande aumento de faturamento e lucro em 2021 e provavelmente terão este ano também.”

A Oxfam Brasil e seus milhares de apoiadores, que assinaram nossa petição em defesa de uma vida mais digna para quem planta e colhe nossos alimentos, estarão a postos para mais uma vez cobrar esse compromisso dos produtores e dos grandes supermercados.

Você pode fazer a diferença! Assine nossa petição!

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