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O evento “Eleições 2020: o debate que queremos” reuniu pré-candidatas negras e indígenas às Câmaras Municipais, ressaltando a potência de suas vozes

24/07/2020 Tempo de leitura: 3 minutos
 

Uma revolução preta. Assim Tauá Pires, Coordenadora de Programas da Oxfam Brasil, definiu o bate-papo “Eleições 2020: o debate que queremos”, que ocorreu nesta quinta-feira (23/7). A atividade fez parte da programação da 13ª edição do Festival Latinidades, o maior evento da América Latina e do Caribe voltado ao público de mulheres negras. Pela primeira vez, o festival está acontecendo virtualmente.

O debate não teve um formato de confronto, mas de construção através da exposição de ideias, com o objetivo de promover o lugar de fala das mulheres negras, exaltando suas conquistas e agendas de luta por uma sociedade mais justa para todas e todos.

Foram selecionadas oito pré-candidatas para participar, seguindo critérios como diversidade partidária, faixa etária, região do país e pessoas LGBTQI+.

São elas:

  • Dani Portela, PSOL-PE
  • Letícia Carvalho, PSOL-PE
  • Macaé Maria Evaristo dos Santos, PT-MG
  • Michelle Andrews, PSOL-AM
  • Mônica Cunha, PSOL-RJ
  • Pagu Rodrigues, PT-SP
  • Renata Mendonça, REDE-SE
  • Renata Moara, PSOL-PA

Na semana em que se celebra do Dia da Mulher Negra, Latina e Caribenha, o debate lembra da urgência de uma maior participação política das mulheres negras como forma de garantir maior representação e igualdade de direitos.

Ocupar é preciso

Apesar de serem a maioria da população brasileira, as mulheres negras são apenas 2% do Congresso Nacional e menos de 1% na Câmara dos Deputados segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. O relatório “Tempo de cuidar: o trabalho de cuidado não remunerado e mal pago e a crise global da desigualdade“, mostra que essa é uma questão mundial: em todo o mundo, as mulheres representam apenas 25% dos parlamentares eleitos.

Por isso, a necessidade de que mais mulheres negras ocupem os espaços políticos foi um tema recorrente durante o debate, para que haja pluralidade de vozes nos espaços de tomada de decisão e construção de políticas públicas.

Letícia Carvalho, que ingressou na militância aos 15 anos, falou sobre a necessidade de “ocupar o espaço político para fazer a revolução preta, pelo fim das violências policial e institucional”. Ela também comentou as desigualdades que jovens negros e periféricos como ela vivenciam e do desafio de se fazer uma organização política nesse contexto. E finalizou: “Somos nós que sustentamos essa estrutura, somos nós que movimentamos a economia, somos nós as principais afetadas pela ausência de políticas. Então, precisamos estar lá para dizer como queremos essas políticas.”

“É preciso fortalecer o protagonismo feminino, melhorar a educação e alcançar representatividade para as minorias” completou Renata Mendonça, professora.

Enfrentar o racismo com igualdade de direitos

Outro ponto debatido pelas participantes é que não há como separar a luta antirracista do acesso à direitos básicos como moradia, educação e saneamento. O racismo interfere na mobilidade social de pessoas negras, a quem foram destinados os piores salários e as piores condições de moradia.

Assim, Mônica Cunha falou sobre o processo histórico de exclusão das pessoas negras para as margens das cidades, sem acesso aos serviços públicos. Ela apontou ainda que, no contexto atual de pandemia, pessoas negras moradoras de favelas não têm sequer a garantia do direito de se proteger. “Moradia digna faz parte do bem viver”, completou.

“A pandemia que estamos vivendo, cada vez mais, denuncia os direitos que as pessoas são impedidas de viver. O desafio posto para nós, mulheres negras, é como podemos superar essa estrutura que coloca o lucro acima das vidas. A lição que a pandemia deixa é que não vamos superá-la se não for coletivamente”, comentou Macaé Evaristo.

Além da moradia, faltam condições de mobilidade, de acesso aos equipamentos de educação, saúde pública, lazer e cultura, saneamento e, assim, a possibilidade real de ocupação dos espaços públicos pelas pessoas negras.

Olhar para os territórios e enxergar sujeitos que vivenciam as desigualdades urbanas de formas desiguais é um elemento fundamental para a concepção de políticas públicas que realmente cheguem onde precisam.

Racismo: uma questão estrutural e institucional

Histórica e institucionalmente o Brasil tem dívidas com as pessoas negras e são muitos os passos que ainda precisamos avançar nesse sentido. 

Assim, o racismo é um problema que afeta o conjunto da sociedade: não é possível ter uma sociedade justa e igualitária sem que se enfrente o racismo. 

“Só poderemos combater as desigualdades se entendermos que elas são estruturadas por questões de classe, gênero e raça” disse Dani Portela, que completou “Nossa luta não é por 30% [de presença de mulheres entre as candidaturas], é por paridade, por igualdade, porque só acreditamos em uma sociedade justa dessa forma”.

“Queremos um debate que não trate a questão da raça e do gênero como identidade, mas como uma totalidade, porque não é possível pensar uma mudança de lógica de sociedade se nós não pensarmos a partir da luta antirracista” disse Renata Moara.

Confira o debate na íntegra:

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