Nossa posição sobre o conflito Israel-Palestina

Estamos na região desde a década de 1950, em parceria com organizações palestinas e israelenses
sex, 25/05/2018 - 12:26

A Oxfam tem trabalhado no Território Ocupado da Palestina e em Israel desde a década de 1950, estabelecendo um escritório no local nos anos 1980. Sempre trabalhando em parceria com organizações palestinas e israelenses, a Oxfam tem como meta melhorar a vida dos palestinos mais pobres e marginalizados, que vivem em Gaza e na Cisjordânia.

Nosso trabalho foca no desenvolvimento agrícola, saúde emergencial e primária, educação, proteção de civis e nos direitos das mulheres. Apoiamos cooperativas de produtoras de oliva para melhorar a qualidade do óleo e alcançar novos mercados. Também trabalhamos com organizações de direitos humanos para advogar por direitos civis e políticos e um fim para as políticas que causam pobreza e injustiça na região.

Qual é a posição da Oxfam sobre o conflito na Palestina?

Queremos um acordo justo e duradouro entre israelenses e palestinos que encerre a ocupação e traga paz, segurança e prosperidade para ambos.

A Oxfam faz um apelo para uma solução negociada baseada na lei internacional e apoiamos a solução que estabelece dois Estados na região, defendida pela comunidade internacional. Condenamos a violência contra civis de ambas as partes e acreditamos que israelenses e palestinos merecem viver com dignidade sem medo da violência ou opressão.

Por que a Oxfam é contra os assentamentos israelenses?

Os assentamentos israelenses na Cisjordânia são amplamente reconhecidos por governos internacionals como violação de leis internacionals e um grande obstáculo para a paz na região. Em nosso trabalho diário, vemos o impacto negativo dos assentamentos israelenses para as vidas e meios de subsistência de fazendeiros, comerciantes e pastores palestinos. Esses assentamentos são a principal causa da pobreza dos palestinos e da negação de direitos com que lidamos em nosso trabalho. Os assentamentos vem sendo expandidos pela Cisjordânia - nos últimos 20 anos, a população assentada mais que dobrou, para 520 mil hoje. Isso resultou no confisco de terra e recursos palestinos, e tem alimentado a pobreza local. Assentamentos também ameação a viabilização de um futuro Estado palestino, deixando a Cisjordânia fragmentada em 167 enclaves desconectados. A Oxfam apoia a solução dos dois Estados, mas os assentamentos são uma ameaça direta para essa solução.

Mas os assentamentos também oferecem empregos aos palestinos, não?

A ocupação, da qual os assentamentos israelenses na Cisjordânia são uma grande parte, é a causa da pobreza. De acordo com o Banco Mundial, as restrições ao acesso de palestinos à Área C - 61% da Cisjordânia que está sob total controle governamental de Israel e onde a maior parte dos assentamentos estão localizados - custa à economia palestina cerca de US$ 3,4 bilhões por ano.

O desemprego na Cisjordânia tem aumentado como resultado disso, com quase um em cada três palestinos com menos de 29 anos estando desempregado no momento. Alguns palestinos encontram trabalho nas faendas e fábricas dos assentamentos israelenses, mas isso acontece em geral porque eles não tem como ter outros meios de subsistência, e portanto têm pouca escolha.

A Oxfam trabalha com fazendeiros de olivas e pastores que vivem próximos aos assentamentos ao longo da Cisjordânia. Eles são impedidos de acessar partes de suas terras e recebem muito menos água por pessoa do que os assentados israelenses. Palestinos que vivem na Área C precisam ter autorização para construir novas casas, poços, sistema de irrigação ou abrigos para animais, mas mais de 95% dos pedidos dos palestinos são rejeitados. AO mesmo tempo, os assentamentos israelenses continuam a serem expandidos.

Cerca de 800 mil oliveiras foram arrancadas e no último ano mais de 660 casas e propriedades de palestinos foram destruídas. A produção palestina de azeite de oliva caiu 40% na última década. Incapazes de se sustentarem em sua própria terra, a única opção disponível para muitos palestinos são frequentemente as fábricas e fazendas dos assentamentos israelenses, que recebem apoio do governo de Israel.

A Oxfam apoia um boicote a Israel?

Não. Somos contra o comércio com os assentamentos israelenses na Cisjordânia porque eles foram ilegalmente construídos em terra ocupada, aumentam a pobreza entre os palestinos e ameaçam as chances existentes de se ter dois Estados na região. No entanto, não somos contra o comércio com Israel e não apoiamos um boicote a Israel, ou qualquer outro país.

Não financiamos atividades que apoiam um boicote, desinvestimento ou sanções. A Oxfam acredita que uma sociedade civil vibrante é a melhor maneira de superar a pobreza global e a injustiça, e sabemos que uma sociedade civil forte terá muitas opiniões e abordagens diferentes. Trabalhamos com mais de 30 parceiros palestinos e israelenses e não esperamos que todos concordem conosco em todas as questões políticas. Alguns deles podem apoiar um boicote, mas não financiamos essa parte de seu trabalho.

A Oxfam também não financia ou apoia qualquer organização que promova práticas anti-semitas ou qualquer outra prática discriminatória, ou que defenda a violência. Acreditamos que o comércio com os assentamentos ou empresas localizadas nos assentamentos, contribui para a legitimização de sua presença e negação dos direitos dos palestinos. Promovemos o consumo ético e apoiamos os direitos dos consumidores em saber a origem dos produtos que compram. Portanto, defendemos que o governo de Israel assegure a rotulagem dos produtos de Israel e também dos assentamentos, para que os consumidores possam saber a diferença da origem desses produtos.

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