A fruticultura brasileira movimenta bilhões de reais e emprega milhões de pessoas. Mas, por trás da produção de manga, uva e maçã, persistem informalidade, contratos de curta duração, baixos salários e profundas desigualdades de raça e gênero.
O novo estudo da Oxfam Brasil, Dinâmicas do Trabalho Assalariado Rural, analisa as dinâmicas do trabalho assalariado rural nas cadeias de manga, uva e maçã no Vale do São Francisco e na Serra Gaúcha, mostrando quem sustenta essa produção, em quais condições e quais caminhos podem transformar essa realidade.
Os números revelam a dimensão do desafio:
- 69,2% dos trabalhadores da agropecuária estão na informalidade, quase 7 em cada 10 pessoas sem a proteção de um vínculo formal.
- 117 mil contratações formais foram registradas em 2024 nas cadeias de manga, uva e maçã analisadas, mas apenas 39,2% permaneciam ativas no fim do ano.
- R$ 15 bilhões foi o valor movimentado pela produção das três cadeias em 2024, que somaram cerca de 4,66 milhões de toneladas de frutas.
- R$ 1.458 foi a remuneração média dos vínculos analisados, em um mercado fortemente marcado pela sazonalidade.
- 42% a menos: uma mulher preta recebe, em média, R$ 1.449 por mês, frente a R$ 2.494 de um homem branco no setor agropecuário.
- 400 acidentes de trabalho foram oficialmente comunicados entre janeiro e outubro de 2025 nos territórios pesquisados, enquanto as entrevistas apontam para um cenário de forte subnotificação.
Baixe o relatório e conheça os dados por trás do trabalho que sustenta a fruticultura brasileira.