Pré-lançamento do estudo “Entre o tempo de trabalho e o tempo de vida” reúne lideranças e aponta desafios para o trabalho digno no campo

30/04/26

Na tarde de ontem (29), a Oxfam Brasil promoveu o pré-lançamento do estudo “Entre o tempo de trabalho e o tempo de vida: uma análise da jornada laboral dos trabalhadores rurais assalariados”, em um encontro que reuniu representantes de sindicatos, movimentos sociais, centros de pesquisa e organizações da sociedade civil.

“Para a Oxfam Brasil, gerar evidências sobre a realidade dos trabalhadores rurais é fundamental. Acho que esse estudo é extremamente importante para incidirmos junto ao poder público e à sociedade”, afirmou Viviana, Diretoria Executiva da Oxfam Brasil, reforçando o compromisso da Oxfam com a geração de evidências para incidência política e a construção de políticas públicas baseadas em dados concretos.

O debate sobre a duração da jornada de trabalho voltou a ganhar centralidade no Congresso Nacional, nos espaços sindicais e na sociedade civil. No entanto, os trabalhadores rurais assalariados seguem ausentes da agenda política mais visível. “O fim da escala 6×1 tira os trabalhadores e as trabalhadoras da invisibilidade. Mostra que nós também precisamos estar dentro das políticas públicas”, afirmou Samara Souza, da Confederação Nacional dos Trabalhadores Assalariados Rurais (CONTAR), durante sua fala.

Dados inéditos revelam jornadas excessivas e impacto sobre mulheres

Apresentado na sede do DIEESE, o estudo revela que 45% dos trabalhadores rurais assalariados cumprem mais de 40 horas semanais de trabalho, e 23% ultrapassam as 44 horas semanais – limite estabelecido pela Constituição. Os dados são ainda mais preocupantes quando recortados por gênero e raça.

“As mulheres dedicam 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos, enquanto os homens dedicam 11,7 horas. O peso é ainda maior para mulheres negras”, destacou Ravenna. “Ser mulher negra, trabalhadora rural assalariada, não é fácil. Trabalhando 6 dias na semana, deixar almoço, café da manhã feito, deixar fardamento pronto todo dia”, disse Ravenna Alves, Coordenadora de Programas da Oxfam Brasil.

O estudo também aponta a precarização do deslocamento. Desde a reforma trabalhista de 2017, o tempo gasto no trajeto até as fazendas deixou de ser considerado jornada de trabalho e remunerado. Trabalhadores chegam a levar duas horas para ir e duas para voltar do trabalho, sem receber por esse tempo.

Samara Souza, da CONTAR, sintetizou o sentimento das trabalhadoras e trabalhadores do campo: “Para o trabalhador e para a trabalhadora, o fim da escala 6×1 não é luxo, é questão de vida, é questão de dignidade. É ter tempo para descansar, conviver com a família e envelhecer com saúde. Trabalho digno no campo para a gente é direito. É ter saúde e é ter tempo para viver.”

Alianças entre campo e cidade

O encontro também destacou a necessidade de aproximar as agendas de trabalhadores urbanos e rurais. Representantes do Pacto Nacional do Combate à Desigualdade, do MTST, do MST, do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), da CONTAR, da CUT, da CTB e de sindicatos de diversos estados reforçaram a importância de uma luta unificada por trabalho digno no Brasil, que não deixe ninguém para trás.

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