Aruanas: a Amazônia muito além da questão ambiental

A nova série da TV Globo mostra a cadeia de desigualdades envolvida no processo de exploração ambiental.
seg, 08/07/2019 - 15:20

Quando se fala de Amazônia, infelizmente o que vem à mente não é só uma bela floresta que é patrimônio da humanidade e do Brasil, mas também o desmatamento, a poluição de rios e córregos e como isso tudo afeta a vida de milhões de pessoas que vivem na região e tiram dela seu sustento. A exploração ambiental predatória está ligada a uma cadeia de desigualdades permeada pela grilagem de terras, violência, trabalho análogo ao escravo, ameaças e violações aos direitos humanos.  Alguns poucos lucram e a maioria do Brasil perde com esta cadeia de desigualdade e exploração, mas quem sofre com os impactos mais significativos são a floresta e seus povos.

Esses são os temas centrais da nova série Aruanas, que estreou na plataforma Globoplay este mês e conta com o apoio de diversas organizações da sociedade civil, entre elas nós da Oxfam Brasil.

A série, que tem 10 capítulos, conta a história de uma organização fictícia que tem atuação na região amazônica, criada por três amigas ativistas – uma jornalista (Débora Falabela), uma advogada (Thaís Araújo) e uma ativista (Leandra Leal), fazendo um importante alerta para a preservação das florestas e o trabalho de defensores ambientais. Produzida pela Globo em parceria com a Maria Farinha Filmes, Aruanas (que quer dizer ‘sentinela’ em tupi guarani) discute também como a exploração indiscriminada de territórios tem efeitos sociais avassaladores como remoções forçadas, exploração de mão de obra, violação de direitos humanos, entre outros.

 

Como atuamos no tema
A Oxfam Brasil trabalha para que as populações mais vulneráveis e que dependem das florestas não tenham seus direitos violados. Em 2016 lançamos o relatório  Terrenos da Desigualdade: terra, agricultura e desigualdades no Brasil rural e nele mostramos como a grande concentração de terras no país esta ligada à desigualdade econômica e social e a violência no campo. Como o relatório releva, uma das facetas mais dramáticas da desigualdade no campo no Brasil é a luta dos povos indígenas por suas terras. Confira aqui a entrevista com Ana Sueli Firmino, indígena Terena da aldeia Buriti, do Mato Grosso do Sul, que participou da oficina organizada pela Oxfam Brasil com mulheres de diversos movimentos sociais, lideranças de povos indígenas e comunidades tradicionais, para discutir a relação de mulheres do campo, a concentração de terras e o modelo de agricultura adotado no Brasil.

O Brasil é o campeão mundial em assassinatos de defensores de direitos ligados a terra e ao meio ambiente. Em 2017 ocorreram 1168 conflitos no Brasil rural e ao menos 57 pessoas foram assassinadas pela defesa do meio ambiente e luta por um país mais justo. A Oxfam vê com profunda preocupação o recrudescimento da violência, assassinatos e repressão contra as defensoras e defensores dos direitos humanos na América Latina e no Brasil, especialmente ativistas ambientais – relacionado a esse modelo econômico que fomenta a desigualdade extrema, explora os recursos naturais de maneira predatória e viola os direitos fundamentais das populações locais. Por isso, em 2016 lançamos o documento Defensores em Perigo que traça um panorama desse cenário que, de lá pra cá, tem se acentuado.

Já em 2018, lançamos o informe Não é Não - o estado de Consentimento Livre, Prévio e Informado nas políticas corporativas das multinacionais brasileiras que analisou documentos publicamente disponíveis de 21 empresas multinacionais brasileiras que atuam na América Latina e África nos setores de mineração, petróleo e gás, construção civil, agronegócio e siderurgia e revelou que nenhuma delas adota compromisso público inequívoco com o princípio de Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI) dos povos indígenas e comunidades tradicionais afetadas pelas atividades.

O contexto atual é preocupante e a série Aruanas pode ajudar a trazer atenção para este importante tema.

 

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