No dia 23 de setembro, Brasil, África do Sul, Espanha e Noruega organizaram um evento de alto nível durante a Assembleia Geral da ONU para fortalecer o apoio político à iniciativa. O processo já conta com um Comitê Fundador (Founding Committee), liderado pelo economista Joseph Stiglitz, além do apoio do secretário-geral da ONU e da União Africana.
A proposta de criação do International Panel on Inequality (IPI), um painel internacional sobre desigualdades, avança em direção à sua formalização no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU). A iniciativa, que nasceu no G20, busca ampliar o apoio político dos países para se tornar um mecanismo formal de análise e enfrentamento das desigualdades em escala global.
Durante o evento, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, destacou explicitamente esse objetivo:
“A decisão de estabelecer o Painel foi um dos resultados mais importantes e de maior alcance da Presidência sul-africana do G20 no ano passado. Essa iniciativa dá continuidade ao trabalho desenvolvido durante a Presidência brasileira do G20, que colocou a desigualdade no centro da agenda global. Como demonstra a ampla diversidade de representantes presentes nesta sala hoje, a coalizão em apoio à criação de um Painel Internacional sobre Desigualdade está crescendo. É hora de acelerar esse movimento e garantir o respaldo da Assembleia Geral das Nações Unidas a uma resolução sobre o Painel Internacional sobre Desigualdade”,
Embora ainda não seja formalmente um painel da ONU, o IPI já conta com uma estrutura inicial e uma coalizão internacional de apoio. A mobilização atual busca consolidar esse respaldo político e avançar na criação de um mecanismo internacional dedicado à produção de conhecimento e ao enfrentamento das desigualdades.
A articulação política desses quatro países é central para a próxima etapa: reunir apoio suficiente entre os Estados-membros para apresentar uma resolução à Assembleia Geral da ONU, passo necessário para avançar na formalização do painel. O professor Joseph Stiglitz, um dos grandes da economia e um dos idealizadores da iniciativa, explicou o intuito do IPI em participação da reunião através de vídeo:
“O IPI nasce de duas constatações fundamentais. A primeira é que a desigualdade, tanto dentro dos países quanto entre eles, representa uma ameaça coletiva ao funcionamento de nossas economias e à capacidade delas de promover e sustentar a dignidade humana. Refiro-me aqui principalmente à desigualdade econômica. Mas sabemos que a desigualdade afeta as pessoas de maneiras diferentes em função de fatores como raça, gênero, classe social, etnia e localização geográfica. A desigualdade não é um problema restrito à economia. Nos âmbitos global e nacional, ela exerce enorme pressão sobre nossos sistemas políticos, nossas sociedades e até mesmo sobre as próprias bases ecológicas de nossa civilização”.
Carta de mobilização da sociedade civil
A Oxfam Brasil lançou uma carta de apoio à criação do International Panel on Inequality (IPI), um painel científico internacional e independente vinculado ao sistema das Nações Unidas e propondo que o Brasil seja considerado um caso piloto para os trabalhos do Painel, considerando a gravidade e a diversidade de suas desigualdades, a disponibilidade de dados e a experiência de sua comunidade científica e de organizações da sociedade civil.
O documento defende que o IPI tenha diversidade regional, racial e de gênero, assegure participação significativa do Sul Global e reconheça o protagonismo de pesquisadores, intelectuais, ativistas e lideranças negras na produção de conhecimento sobre desigualdades.
Ao reunir organizações, movimentos sociais, sindicatos, pesquisadores e demais atores da sociedade civil, a mobilização busca ampliar o apoio à criação do IPI e fortalecer uma articulação brasileira comprometida com respostas globais a um problema que atravessa fronteiras.
Confira a carta de apoio à criação do International Panel on Inequality e quem assina: