Os bilionários e os super-ricos estão emitindo carbono em um ritmo extraordinário. Os 0,1% mais ricos, cerca de 8 milhões de pessoas, geram mais emissões do que os 3,5 bilhões de pessoas mais pobres do planeta. A poluição de carbono produzida pelo 1% mais rico contribui diretamente para o aumento de desastres climáticos, como enchentes, incêndios, secas e crises alimentares. Estima-se que suas emissões anuais provoquem cerca de 1,9 milhão de mortes prematuras relacionadas ao calor extremo.
Ao mesmo tempo, esses desastres climáticos não afetam todas as pessoas da mesma forma. Eles ampliam a desigualdade e se tornam muito mais letais justamente por causa dela. As mortes causadas por enchentes, por exemplo, são sete vezes mais numerosas em países com níveis mais altos de desigualdade.
As pessoas mais ricas conseguem se proteger dos impactos, seja pagando mais caro pelos alimentos ou mudando-se para locais mais seguros. A maioria da população, porém, não tem essa opção. Além disso, novas pesquisas da Oxfam mostram que os super-ricos estão lucrando com o sofrimento causado pela crise climática: obtêm ganhos enormes com os altos preços dos alimentos e também se beneficiam financeiramente dos desastres. Enquanto isso, as pessoas comuns, atingidas por sucessivos choques climáticos, enfrentam dificuldades para se recuperar. Elas estão mais expostas aos riscos, são mais vulneráveis e contam com menos recursos financeiros para reconstruir suas vidas.
É possível romper esse ciclo vicioso. Podemos minimizar os impactos humanos da crise climática reduzindo as emissões das pessoas mais ricas, combatendo radicalmente a desigualdade e garantindo que as ações de adaptação às mudanças climáticas coloquem a justiça e a igualdade no centro das decisões.