Por trás das marcas

Compromissos das grandes empresas de alimentação ficam pelo meio do caminho

As 10 maiores empresas de bebidas e alimentos do mundo, que são alvo de nossa campanha Por Trás das Marcas, já se comprometeram com políticas e boas práticas de fornecimento mais sustentáveis para seus produtos. Mas e as 'traders', que são as que fazem o elo entre os produtores e as empresas que vendem os produtos aos consumidores? Estão elas seguindo os mesmos compromissos para os impactos negativos sobre mulheres, pequenos produtores, terra e clima?

Novo relatório da Oxfam revela descompasso nos compromissos para impactos negativos sobre mulheres, pequenos agricultores, terra e clima
Foto: Anna Fawcus/Oxfam América

Grandes empresas falaram. Será que seus fornecedores escutaram?

As 10 maiores empresas de bebidas e alimentos do mundo, que são alvo de nossa campanha Por Trás das Marcas, já se comprometeram com políticas e boas práticas de fornecimento mais sustentáveis para seus produtos. Mas e as 'traders', que são as que fazem o elo entre os produtores e as empresas que vendem os produtos aos consumidores? Estão elas seguindo os mesmos compromissos para os impactos negativos sobre mulheres, pequenos produtores, terra e clima?

Este nosso novo relatório revela que elas ainda estão longe disso. Há uma grande falta de sintonia em relação aos compromissos assumidos pelas grandes empresas de alimentos e bebidas, como a Coca-Cola, Pepsi, Nestlé, Unilever e Kellogs, entre outras, e as companhias 'traders' do agronegócio. Nossa análise mostra o que pode ser feito para ajustar esse descompasso e como as grandes empresas de alimentação do mundo podem exercer seu poder para garantir que toda a cadeia de fornecedores esteja alinhada com os compromissos de sustentabilidade necessários.

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O Gosto Amargo do Açucar

A cultura da cana-de-açúcar tem incentivado as aquisições de grandes porções de terras e contribuído para os conflitos agrários, prejudicando pequenos produtores de alimentos e suas famílias.

Desde 2000, pelo menos 4 milhões de hectares de terra foram adquiridos para produção de açúcar, contabilizando 100 acordos de aquisição de terras firmados. No entanto, devido à falta de transparência sobre tais acordos, a área talvez seja muito maior. Muitas dessas aquisições estão relacionadas a violações dos direitos humanos, perda dos meios de subsistência e fome para os pequenos produtores e suas famílias.

As grandes empresas de alimentos e bebidas raramente possuem terras, mas dependem da terra para obter as matérias primas de que necessitam, entre elas o açúcar. As empresas do ramo alimentício precisam reconhecer esse problema com urgência e tomar providências para garantir que as violações do direitos de populações à terra e os conflitos agrários não façam parte de suas cadeias de fornecimento.

Institucional

O direito à terra e as gigantes do refrigerante

Desde que surgiram denúncias de que havia sérios problemas em suas cadeias de fornecedores de açúcar em questões de direitos humanos e acesso à terra, as empresas Coca-Cola e PepsiCo se comprometeram, respectivamente no fim de 2013 e início de 2014, com a "tolerância zero" em relação a apropriações injustas de terras (land grabbing).

Desde então, a Oxfam tem monitorado o andamento da implementação dos compromissos por parte dessas empresas e fornecido sugestões de como elas podem melhorar. Desde o início de 2016, ambas as empresas deram um passo importante ao avaliar os riscos e impactos de seus fornecedores de cana-de-açúcar com relação ao direito à terra. A Coca-Cola fez um estudo de base e a PepsiCo realizou auditorias. 

Este relatório fornece uma visão geral sobre os riscos e impactos, descreve o processo externo de avaliação, ressalta alguns dos apontamentos da avaliação e apresenta recomendações da Oxfam para que a Coca-Cola, a PepsiCo e todas as empresas da cadeia. 

O relatório foi escrito por John Wilkinson, professor do Curso de Pós-Graduação em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA) da Univesidade Federal do Rio de Janeiro (UFRRJ), a pedido da Oxfam para a campanha Behind the Brands. 

Baixe o relatório:

Direito à terra e as gigantes do refrigerante

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