Desigualdades no Brasil

"A questão racial e de discriminação das mulheres precisam ser tratadas como prioridades"

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), conjunto de 17 metas globais estabelecidas pela ONU a serem cumpridas até 2030, precisam ser apropriados pela sociedade brasileira e dar prioridade às questões relacionadas ao racismo e discriminação das mulheres para que haja avanços no Brasil em relação ao enfrentamento das desigualdades, afirmou Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil, durante o seminário de lançamento do projeto de fortalecimento da

Nossa diretora executiva Katia Maia participou, em São Paulo, de seminário de lançamento do projeto de fortalecimento da Rede Estratégia ODS

Percepção sobre as desigualdades em debate

Como os brasileiros percebem as desigualdades brasileiras e suas principais consequências? Quais políticas públicas podem reduzir essas desigualdades e tirar o Brasil do vergonhoso posto de um dos 10 países mais desiguais do mundo? Qual a expectativa em relação ao papel do governo e do Estado na redução das desigualdades?

Seminário Nós e as Desigualdades reuniu 254 pessoas no Tucarena para discutir sobre os resultados da pesquisa Oxfam Brasil/DataFolha
O público reunido no teatro Tucarena, da PUC-SP, debateu alguns dos principais aspectos das desigualdades brasileiras com especialistas convidados pela Oxfam Brasil. Fotos: Léu Britto/Oxfam Brasil

Pesquisa Nós e as Desigualdades

A pesquisa Nós e as Desigualdades, da Oxfam Brasil em parceria com o Instituto Datafolha, é um registro da opinião pública sobre o tema das desigualdades no país. Com ela buscamos contribuir com o debate nacional sobre a importância

de enfrentarmos e reduzirmos as desigualdades de renda, raça e gênero para termos um país mais justo, solidário e humano. A pesquisa é realizada por meio de abordagem pessoal dos entrevistados.

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País Estagnado

A roda da redução das desigualdades no Brasil parou de girar. A distribuição de renda estagnou, a pobreza voltou com força e a equiparação de renda entre homens e mulheres, e negros e brancos, que vinha acontecendo ainda que timidamente, recuou. São retrocessos inaceitáveis para um país cuja maioria é justamente de pobres, negros e mulheres. E essas desigualdades de renda, raça e gênero são reforçadas – e retroalimentadas – por nosso injusto sistema tributário, que cobra mais justamente de quem menos tem. Isso não pode continuar.

Um retrato das desigualdades Brasileiras

Precisamos falar sobre desigualdades no Brasil. Somos um dos países mais desiguais do mundo, com gigantesco abismo entre ricos e pobres, e esses níveis extremos de desigualdades são incompatíveis com uma sociedade democrática. Nossos relatórios anuais com dados, indicadores e reflexões sobre as desigualdades de renda, raça e gênero no Brasil têm como objetivo contribuir com o debate público, apontando os principais problemas e pensando as melhores e mais eficientes soluções.

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Os números das desigualdades no Brasil

A desigualdade econômica no Brasil atingiu níveis extremos, apesar do país ser uma das maiores economias do mundo. Nas últimas décadas, milhões de pessoas foram retiradas da pobreza. Mas apesar do grande avanço obtido, o ritmo foi lento e o Brasil

ainda está na lista dos países mais desiguais do planeta. O atual contexto nacional, marcado por uma grave crise econômica e política, também revela que as conquistas alcançadas são frágeis e estão ameaçadas.

É o tempo que o Brasil demoraria para chegar ao nível de igualdade de renda do Reino Unido, se mantemos o ritmo atual de redução de desigualdades observado desde 1988. Comparando com o Uruguai, seriam necessários 35 anos.

É o tempo que uma pessoa que recebe um salário mínimo teria que trabalhar para ganhar o equivalente a um mês da renda de um brasileiro do privilegiado grupo dos 0,1% mais ricos da população.

O Brasil tirou 28 milhões de pessoas da pobreza nos últimos 15 anos. Mas os super-ricos continuam sendo os mais beneficiados: entre 2001 e 2015, o grupo dos 10% mais ricos abocanhou 61% do crescimento econômico.

As mulheres brasileiras só terão igualdade salarial com os homens em 2047 e as pessoas negras só ganharão o mesmo que as brancas em 2089, no caso de se manter a tendência dos últimos 20 anos. Está para nascer a geração que verá a equidade salarial no Brasil.

Seis brasileiros – todos homens brancos – concentram a mesma riqueza que a metade mais pobre da população, mais de 100 milhões de pessoas. E os 5% mais ricos do país recebem por mês o mesmo que os demais 95% juntos.

Gastando R$ 1 milhão por dia, os seis maiores bilionários brasileiros, juntos, levariam 36 anos para esgotar todo seu patrimônio.

O Brasil poderia aumentar a arrecadação fiscal – e portanto o orçamento federal – em mais de R$ 60 bilhões ao ano, o equivalente a duas vezes o orçamento federal para o Programa Bolsa Família, quase três vezes o orçamento federal para a educação básica e quase 60 vezes o que se aloca para a educação infatil, só com o fim da isenção de impostos a lucros e dividendos.

O sistema tributário brasileiro é injusto e penaliza os pobres e a classe média. O grupo dos 10% mais pobres gasta 32% da sua renda em impostos, enquanto os 10% mais ricos pagam 21%. No Brasil, contribuem mais os que menos têm.

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Ações contra as desigualdades

O QUE FAZER?

É fundamental mudarmos os mecanismos pelos quais as desigualdades extremas operam, oferecendo igualdade de oportunidades e garantindo equidade de resultados.

A Oxfam Brasil acredita que há muito o que se fazer para a redução das desigualdades no país, sejam elas econômicas, de patrimônio, raça ou gênero. Listamos aqui algumas das ações que consideramos mais urgentes e importantes que podemos - e devemos - tomar para mudar essa situação.

Uma tributação mais justa

Defendemos a redistribuição da carga tributária brasileira: diminuindo os impostos indiretos (sobre produtos e serviços) que recaem principalmente sobre os mais pobres e a classe média e aumentando os impostos diretos relacionados aos super-ricos; combatendo os mecanismos de elisão e evasão fiscal (impostos não pagos legal e ilegalmente); reduzindo as renúncias fiscais que viraram regra nos últimos anos.

Gastos sociais de qualidade e com recursos garantidos

Esses gastos devem estar associados a medidas que assegurem transparência, participação social e maior eficiência. É necessário garantir recursos públicos adequados para políticas sociais; expansão dos gastos em educação, saúde, assistência social, saneamento, habitação e transporte público.

Educando para avançar

A educação é um dos pilares da mobilidade social e do desenvolvimento de um país. É preciso melhorar a oferta e a qualidade educativa; priorizar soluções para evasão escolar – sobretudo de jovens negros; aumentar o alcance do ensino superior para jovens de baixa renda e negros.

Emprego decente e aumento real do salário mínimo

Reduzir desemprego, informalidade no mercado de trabalho e garantir salários descentes são passos imprescindíveis e tiveram impactos relevantes no combate às desigualdades no Brasil nos últimos anos.

Enfrentando a discriminação e o racismo

Políticas afirmativas são importantes para reduzir a discriminação racial e de gênero. É preciso combater a violência e o racismo institucional.

Desprivatizando a nossa democracia

É preciso avançar em mecanismos de prestação de contas e transparência, incluindo a efetiva regulação do lobby e o fortalecimento da participação da sociedade civil, combater a corrupção em todos os níveis e promover mudanças no sistema político atual.

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Desigualdades no Enem

Quer arrasar na prova do Enem e no Vestibular?

A Oxfam Brasil preparou um conteúdo especial sobre desigualdades. O tema vem ganhando destaque, evidenciando desigualdades de renda, patrimônio e acesso a serviços essenciais, o que é potencializado pelas desigualdades raciais, de gênero e regionais.

Para te ajudar a estudar, criamos um simulado com oito questões e um webinar gratuito com o Coordenador de Campanhas da Oxfam Brasil, Rafael Georges, também um dos responsáveis pela produção do relatório “A distância que nos une: um retrato das desigualdades brasileiras”, lançado em setembro de 2017.

Simulado Oxfam Brasil

Observação: As perguntas deste simulado foram feitas com base no relatório da Oxfam Brasil, “A distância que nos une”. Todos os dados são do mesmo relatório. As respostas e as fontes das informações podem ser encontradas nele.

Webinar sobre desigualdades

Assista ao webinar que aconteceu no dia 31 de outubro, com Rafael Georges

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Conteúdo interativo: 
Simulado

Mapa da desigualdade

Mapa da Desigualdade é uma iniciativa da Rede Nossa São Paulo que busca revelar as desigualdades das cidades por meio de suas diferenças regionais. Ele aponta, a partir de cada micro-região da capital paulista, dados sobre assistência social, cultura, educação, esporte, habitação, inclusão digital, meio ambiente, saúde, trabalho e renda, transporte e violência. Ao dar visibilidade aos "zeros" de equipamentos e serviços públicos em cada região, o estudo explicita as desigualdades e visa contribuir para a diminuição da distância entre os melhores e piores indicadores.

A metodologia desenvolvida pela Rede Nossa São Paulo foi transformada em um Guia orientador para construção de mapas da desigualdade nos municípios brasileiros, que contou com apoio da Oxfam Brasil.

A primeira cidade a adotar o guia para construção de seu mapa foi Brasília, através da liderança do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e o Movimento Nossa Brasília em parceria com a Oxfam Brasil. Em 2016, foi elaborada a primeira versão do Mapa da Desigualdade de Brasília, dando visibilidade às profundas diferenças e injustiças na oferta de serviços públicos fundamentais como saúde, educação e transporte, entre outros. 

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